Após ter jogado os títulos anteriores e como grande fã de jogos com uma temática de horror, era inevitável adquirir este terceiro episódio da série Projecto Zero. Embora já tenha saído à alguns bons meses em territórios NTSC, só agora o adicionei à minha biblioteca.
Neste jogo controlamos Rei, fotografa e jornalista que desde um terrível acidente de viação, de onde o seu noivo Yuu sai vitimado, dedica-se a fotografar casas assombradas.
Num dia de trabalho que à primeira vista parecia normal, em mais uma casa abandonada, Rei vê algo inexplicável, Rei vê o seu noivo Yuu.
Rei segue-o e o jogo começa de forma brusca. Encontramo-nos numa casa tipicamente japonesa. Cenário familiar para todos os que jogaram um dos episódios anteriores. O que fazemos aqui? Qual o motivo? Vagueio pela casa sem objectivo aparente, por corredores longos, escuros e degradados.
Mais à frente, deparo-me com uma figura humana feminina…. esta avança, o corpo nú está coberta de tatuagens. Entra em cena uma FMV, Rei foge desesperadamente, enquanto a mulher a tenta agarrar. A figura toca-lhe e Rei acorda de mais um pesadelo. Uma tatuagem espalha-se na costas de Rei… o que significa?
É esta a premissa em Project Zero 3. (É uma péssima descrição, eu sei, mas quis introduzir a base deste jogo.)
Antes de mais acho fundamental referir a nova visão que o director seguiu com este jogo. Ainda com o jogo em desenvolvimento esta característica interessou-me, depois fiquei ligeiramente de pé atrás, e agora que finalmente a vi em concreto, adoro-a.
Basicamente, essa nova visão passa por termos dois locais primários de visita no jogo. Um a famosa mansão, o outro a casa de Rei. A transição entre um e outro é feito quando Rei vai dormir, sendo que o local da mansão corresponde ao pesadelo, ao qual procuramos resposta.
Continuar a descrição como esta dualidade de cenários afecta o desenvolvimento do jogo não é fácil, é preciso descrever pormenores interessantes e simultaneamente não estragar a experiência. Project Zero sempre teve alguns elementos inspirados em filmes de horror coreanos ou chineses, mas em The Tormented esses elementos coexistem nitidamente com o jogo com esta forma de realização. E deixem dizer-vos que estou espantado pela positiva com o fantástico resultado.
Como também adoro filmes de horror coreanos e chineses, sou facilmente suspeito por esta adoração.
Project Zero 3 (PZ3) continua a primar pelo ambiente de tensão gerado, que persiste, pior talvez do que em episódios anteriores. À medida que progredimos é horrível (mais uma vez no bom sentido) ver que de um local de segurança, começamos a ficar tensos também dentro de casa. Eu repito, não quero estragar a experiência mas pensem em alguns filmes como The Eye, The Grudge, ou outros e conseguem chegar aonde quero chegar.
Conosco mora Miku, personagem de Project Zero 1. Miku é assistente de Rei, ajuda-a nas suas investigações e é a segunda personagem controlável. A terceira já que as estou a enumerar é Kei.
A partir daqui, quem conhece a série, está familiar com o tudo o que disser. A “arma” continua a ser a Camera Obscura, a qual podemos ir actualizando à medida que vamos achando mais partes e comprando as actualizações com os pontos ganhos em cada combate ou fotografia de fantasma.
Falando neles, os inimigos em PZ3 estão muito detalhados, bem concebidos e bastante mais agressivos do que nos títulos anteriores. Além disso, alguns são rápidos e evasivos, desaparecendo e reaparecendo em seguinda. Em suma alguns são mesmo ameaçadores e aterrorizadores. Eu espero não estar a exagerar, mas a concepção está mesmo boa na minha opinião.
Não só os inimigos e personagens, mas também os cenários são um luxo pelo detalhe. Outro ponto que destaco, como ponto de qualidade superior aos outros títulos da série é o som, mais propriamente o som ambiente, acho-o mais dinâmico e de uma forma geral acho que resulta melhor. Da dobragem, essa esperem já a qualidade habitual, nada que afecte o jogo, em especial para quem já conhece as outras dobragens presentes em Project Zero.
Da jogabilidade não há muito a assinalar tirando uns tweaks que fizeram ao movimento do personagem. Em termos de navegação no menu, também está tudo familiar com o acrescento de um bloco de notas que vai sendo actualizado á medida que Rei ganha novas informações, sobre localizações, eventos e personagens.
Project Zero 3 está prestes a tornar-se, em conjunto com o segundo, o meu preferido da série. E é bom ver que um título, cuja fórmula aparentemente é facilmente gasta, continua a gerar tensão, relutância em avançar (também no bom sentido) e até mesmo a assustar. À muito tempo que não apanhava um título assim.
Os fãs vão adorar, está lindo e as cutscenes e FMV continuam do outro mundo. Para os novos à série, podem começar por este, embora com claras evidências e relações a personagens dos outros Project Zero, estas não são um factor decisivo, já que o necessário é explicado.